quinta-feira, 20 de dezembro de 2007

HOJE É DIA DO AZULEIJISTA!


MEUS PARABÉNS PARA OS DESCONHECIDOS MAIS DESCONHECIDOS QUE CONHECEMOS, OS AZULEJISTAS. AFINAL SE NÃO FOSSE ELES, O QUE SERIAM DAS PAREDES DE BANHEIRO?
HELLO NIETZCHE!

terça-feira, 11 de dezembro de 2007

FOI MASSA!!!!!!!!

E EU TAVA LÁ....
FOI MASSA.
DIVIDIMOS DUAS BARRACAS,
SEIS PESSOAS,
PÃES,
PATÊ DE SALSICHA,
PEITO DE PERU,
REFRIGERANTE,
NADA DE ALCOOL,
MUITO CARO.
UMA DOR DE CABEÇA
ONIBUS ATAZADO.
AGUA FRIA
E GOTINHA CAINDO NA CABEÇA!
ALGAS...
HÁ ALGAS NA ÁGUA DO LAGUINHO!
NÃO DÁ PRA TOMAR BANHO.
BANDAS!
FOGO!
PÔ CARA, TEM UM LOUCO ALI BRINCANDO COM FOGO
E CUSPINDO!
É O MALABARIS,
A GENTE TÁ NO CIRCUS.
ENTÃO VAMOS PRO MACONDO,
E...
- ILARILARIÊ!
XUXA, BALÃO MÁGICO, CRIANÇA JUNK.
E BEZERRA, GALO PRETO.
MODESTIA A PARTE
SOU UMA OTIMA SAMBISTA.
E MUSICA GAY,
A MAIS ESPERADA,
O NOSSO HINO:
I WILL SURVIVE!
E A BELEZA APARECEU
FAZENDO UM STRIP DOIDO!
UHU!
E A LOUCA DE VERMELHO
ERA LINDAMENTE HETERO.
E O NAMORADO DO GAY ENTÃO...
FOI MASSA.
MOTOKILLERS, OS ASSASSINOS DA MOTO
A BANDA DO CARA BONITO,
E ELES TAVA SOB O EFEITO DE MUITA COISA.
A BANDA DAS COSAS PSICODELICAS,
O CREMA,
AS BANDAS EMO,
O FILHO DO MICHAEL JACKSON!
E O DO NEY MATOGROSSO COM O CAZUZA,
ENFIM, OUT HOUSE!
A ULTIMA TAVA FRIO.
MAS FOI MASSA ASSISTIR DE CAMAROTE,
ENFRENTE AO PALCO.
MAS O SONO PEGOU...
E A BARRACA TINHA UM GALHO EMBAIXO.
MAS AS 11H ROLOU
ACORDEI COM MORPHINE!!!!
DORMI BEM
NA BEIRA DA CALÇADA.
E O DOMINGO...
ODE A VAGABUNDAGEM.
NA BEIRA DO LAGO
E VIOLÃO
E MÚSICA MASSA
ACABOU O PÃO!
E TIVEMOS QUE SAIR DO LUGAR
PRO SOL NÃO QUEIMAR.
METADE DO POVO FOI EMBORA.
E MUSICA DENOVO,
E MUSICA DE MACONHEIRO,
BOB E COMPANHIA
E O VOCALISTA RACISTA.
ACABOU. PAGA O ÔNIBUS,
ANTES,
A SUKITA,
CACHAÇA,
E TUDO O QUE A ALFÂNDEGA APREENDEU NA ENTRADA.
SO TINHA SUCO, REFRI E CIGARRO.
AINDA QUE ISSO.
MAS FOI MASSA.

MUUITO MASSA.
ESSA MÚSICA EU OUVI NO MACONDO CIRCUS, NA BEIRA DO LAGO, PERTO DO PALCO E LOGO ALI, DEPOIS DO ACAMPAMENTO... RUANA PIBER-VOZ E VIOLÃO- CANTANDO CASSIA ELLER. A MUSICA LEMBRA A SAUDADE E A CARTA LEMBRA TUDO O QUE EU QUERIA DIZER AO MEU ADELAR!

E.C.T.
(Nando Reis, Marisa Monte, Carlinhos Brown - Cássia
Eller)

Tava com cara que carimba postais
Que por descuido abriu uma carta que voltou
Levou um susto que lhe abriu a boca
Esse recado veio pra mim, não pro senhor
Recebo craque colante, dinheiro parco embrulhado
Em papel carbono e barbante
E até cabelo cortado, retrato de 3x4
Pra batizado distante
Mas, isso aqui, meu senhor,
É uma carta de amor

Levo o mundo e não vou lá
Levo o mundo e não vou lá
Levo o mundo e não vou lá
Levo o mundo e não vou...

Mas esse cara tem a língua solta
A minha carta ele musicou
Tava em casa, a vitamina pronta
Ouvi no rádio a minha carta de amor
Dizendo: eu caso contente, papel passado e presente
Desembrulhado o vestido
Eu volto logo, me espera
Não brigue nunca comigo
Eu quero ver nossos filhos
O professor me ensinou fazer uma carta de amor

Leve o mundo que eu vou já
Leve o mundo que eu vou já
Leve o mundo que eu vou já
Leve o mundo que eu vou...

sexta-feira, 7 de dezembro de 2007

Anjo..


Eu queria realmente ser um anjo!

Ser o anjo que vela, o anjo que guarda, o anjo que protege...

Quebrar todas as barreiras e ser apenas um anjo.

Mas não é permitido a um anjo,

amar uma única pessoa;

Seu amor não pode ser exclusivo;

Seu amor deve ser extensivo...

Não é permitido a um anjo

Chorar por todas as pessoas;

Seu pranto é exclusivo.

Que anjo eu posso ser? Que amor eu poderei dar?

Que olhos irão me ver? A quem eu irei amar?

Eu queria tanto ser um anjo!

Ter a bondade nas faces, a sabedoria no olhar;



Saber sorrir, saber confortar.

Saber entender aos aflitos, saber ensinar;

Ir ao encontro de todos...

Um anjo qualquer! Um anjo comum!

Atender as preces dos necessitados;

Atender a procura de afeto de uma criança;

Um anjo que aprende com a dor;

Um anjo que aprende com o amor...

Beijar a face daquele que suplica;

E serenar a raiva do inimigo cruel.

Por fim, eu queria ser um anjo...

E poder quebrar todas as regras celestiais;

Sentir o amor único e exclusivo;

E chorar por todos os demais...







"Eu queria somente ser um anjo!"

E ter vc ao meu lado, para me fazer companhia e ser meu amor para toda a vida.....



Att.

Gilmar

terça-feira, 4 de dezembro de 2007

tenta ler essa:

Fixe seus olhos no texto abaixo e deixe que a sua mente leia corretamente o que está escrito.

35T3 P3QU3N0 T3XTO 53RV3 4P3N45 P4R4 M05TR4R COMO NO554 C4B3Ç4 CONS3GU3 F4Z3R CO1545 1MPR3551ON4ANT35! R3P4R3 N155O! NO COM3ÇO 35T4V4 M310 COMPL1C4DO, M45 N3ST4 L1NH4 SU4 M3NT3 V41 D3C1FR4NDO O CÓD1GO QU453 4UTOM4T1C4M3NT3, S3M PR3C1S4R P3N54R MU1TO, C3RTO? POD3 F1C4R B3M ORGULHO5O D155O! SU4 C4P4C1D4D3 M3R3C3! P4R4BÉN5!

curiosodade:

De aorcdo com uma peqsiusa de uma uinrvesriddae ignlsea, não ipomtra em qaul odrem as Lteras de uma plravaa etãso, a úncia csioa iprotmatne é que a piremria e útmlia Lteras etejasm no lgaur crteo. O rseto pdoe ser uma bçguana ttaol, que vcoê anida pdoe ler sem pobrlmea. Itso é poqrue nós não lmeos cdaa Ltera isladoa, mas a plravaa cmoo um tdoo.

terça-feira, 27 de novembro de 2007

Ela Roubou Meu Caminhão

presta atenção, essa música eu ouvi na última boate do DCE, ela é muito engraçada! e bota engraçada nisso...



Matanza

Composição: Donida

Ela roubou meu caminhão
Ela roubou meu caminhão

Ela escreveu dizendo que não me agüentava mais
E foi embora com meu caminhão

Foi embora e me deixou aqui
Foi embora e me deixou aqui
Quando eu acordei e vi, meu caminhão não tava mais
E nunca mais na vida eu vou dormir

Eu que tinha até tatuado o nome dela
Eu pensava nela toda noite nesses dez anos
Que eu passei trancado naquela prisão
Essa foi demais! Isso não se faz!
Ninguém vai acreditar
Ela roubou meu caminhão

Ela já deve tá bem longe daqui
Ela já deve tá bem longe daqui
Daqui pode ter pego qualquer rodovia federal
E foi reto na reta até sumir

Só me pergunto o que é que aconteceu
Só me pergunto o que é que aconteceu
Ela ter ido embora tudo bem eu não tô nem aí

Perder meu caminhão foi que doeu

Eu que tinha até tatuado o nome dela
Eu pensava nela toda noite nesses dez anos
Que eu passei trancado naquela prisão

Essa foi demais! Isso não se faz!
Ninguém vai acreditar
Ela roubou meu caminhão

Sinceramente eu pensei que dessa vez fosse me regenerar
Trabalhando honestamente com uma esposa ali cuidando do lar
Uma vida bem normal pra envelhecer em paz

Mas se o destino quis assim agora tanto faz
Do bar não saio nunca mais

Ela roubou meu caminhão
Ela roubou meu caminhão
Ela escreveu dizendo que não me agüentava mais
E foi embora com meu caminhão

Foi embora e me deixou aqui
Foi embora e me deixou aqui
Quando eu acordei e vi, meu caminhão não tava mais
E nunca mais na vida eu vou dormir

Eu que tinha até tatuado o nome dela
Eu pensava nela toda noite nesses dez anos
Que eu passei trancado naquela prisão
Essa foi demais! Isso não se faz!
Ninguém vai acreditar
Ela roubou meu caminhão

segunda-feira, 26 de novembro de 2007

bem macacada! minhas desculpas pela ausência, PARA COMPENSAR, FINALMENTE.... ÓIA EU:

quinta-feira, 8 de novembro de 2007


--Harry, como você pôde andar por aí com essa coisa horrível no seu braço?
-- Eu ia te perguntar a mesma coisa.

ratos


Rato
(Paulo Tatit e Edith Derdyk)

Todo rato tem rabo longo
Toda rato tem faro esperto
Todo rato curte escuro lambe restos
Todo rato deixa rastros
Todo rato trai e mente
Todo rato assusta a gente
Todo rato anda em bando
São os ratos, são os ratos
São os ratos bem malandros

Mas sempre tem um que é diferente
Tem sempre um que até surpreende a gente
Este rato que aqui se mostra
É um rato que a gente gosta
É um rato que em vez de catar
Lasquinhas de queijo e comer na rua
Prefere mil vezes um beijo
Um beijo brilhante da lua

- Lua minguante lua crescente
Declaro ser o seu mais lindo amante
Com você eu quero me casar
Fazer da noite escura o nosso altar

- Rato meu querido rato
Eu não sou assim de fino trato
Para selar este contrato
Minha luz é passageira
Fico sempre por um triz
Mesmo quando estou inteira
Vem a anuvem me cobrir
Ela sim, nuvem faceira
É que lhe fará feliz

- Nuvem redonda que cobre o luar
Declaro ser o seu mais lindo amante
Com você eu quero me casar
Fazer do céu imenso o nosso altar

- Rato meu querido rato
Eu não sou assim de fino trato
Para selar este contrato
Minha sombra é tão nublada
Fico sempre por um triz
Mesmo quando estou parada
Vem a brisa me diluir
Ela sim, brisa danada
É que lhe fará feliz

- Brisa macia que destrói a nuvem que cobre o luar
Declaro ser o seu mais lindo amante
Com você eu quero me casar
Fazer do vento o nosso altar

- Rato meu querido rato
Eu não sou assim de fino trato
Para selar este contrato
Mesmo quando eu sopro forte
Vem a parede me barrar
Só a parede de uma casa
Não deixa a brisa passar
Ela sim, dura parede
É que aprenderá a te amar

- Parede parada
Que barra a brisa, que destrói a nuvem que cobre o luar
Declaro ser o seu mais lindo amante
Com você eu quero me casar
Fazer da terra o nosso altar

- Rato meu querido rato
Eu não sou assim de fino trato
Para selar este contrato
Meus tijolos são de barro
Mas não é difícil me esburacar
Mesmo sendo bem segura
Vem a ratinha me cavocar
Só a ratinha bem dentuça
Saberá como te amar

- Ratinha dentuça
Que cavoca a parede, que barra a brisa que destrói a nuvem, que cobre o luar
Declaro ser o seu mais lindo amante
Com você eu quero me casar
Fazer da natureza o nosso altar

- Rato meu querido rato
Eu que sou assim de fino trato
Pra selar este contrato
O meu faro é tão certeiro
Com você vou ser feliz
Mesmo não sendo perfeita
Eu sou a rainha eleita
Fico aqui toda sem jeito
Esperando um grande queijo (ops!)
Esperando um grande beijo

Toda rata tem rabo longo
Toda rata tem faro esperto
Toda rata curte escuro lambe restos
Toda rata deixa rastros
Toda rata trai e mente
Toda rata assusta a gente
Toda rata anda em bando
São as ratas, são as ratas
São as ratas bem malandras

segunda-feira, 29 de outubro de 2007

NEMESYS.

RESIDENT EVIL 3- NEMESYS

um fato curioso( muito curioso!!!)
este é o chefão do resident evil. o fato curioso foi um sonho de um certo amigo:

no sonho o cara estava sendo perseguido por, nada mais, nada menos que Nemesys.
fugindo, fugindo, deparou-se com uma parede: estava encurralado.
segundos antes do monstro o destruir... Nemesys é derrubado por uma guitarrada de, adivinha? Kurt Cobain! que logo diz:
- vamos dá uma rápido antes que ele se levante....

quarta-feira, 24 de outubro de 2007

litost



TENHO QUE FAZER MINHA PROPAGANDA MUITO BEM MERECIDA: LITOST!

O BLOG DE UM AMIGO MUITO QUERIDO, COM UMA SENSIBILIDADE INCRÍVEL, PODERIA DIZER QUE É UM DOS CARAS MAISA ADMIRÁVEIS QUE CONHEÇO...

sexta-feira, 19 de outubro de 2007

TABACARIA




    Não sou nada.
    Nunca serei nada.
    Não posso querer ser nada.
    À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.

    Janelas do meu quarto,
    Do meu quarto de um dos milhões do mundo que ninguém sabe quem é
    (E se soubessem quem é, o que saberiam?),
    Dais para o mistério de uma rua cruzada constantemente por gente,
    Para uma rua inacessível a todos os pensamentos,
    Real, impossivelmente real, certa, desconhecidamente certa,
    Com o mistério das coisas por baixo das pedras e dos seres,
    Com a morte a por umidade nas paredes e cabelos brancos nos homens,
    Com o Destino a conduzir a carroça de tudo pela estrada de nada.

    Estou hoje vencido, como se soubesse a verdade.
    Estou hoje lúcido, como se estivesse para morrer,
    E não tivesse mais irmandade com as coisas
    Senão uma despedida, tornando-se esta casa e este lado da rua
    A fileira de carruagens de um comboio, e uma partida apitada
    De dentro da minha cabeça,
    E uma sacudidela dos meus nervos e um ranger de ossos na ida.

    Estou hoje perplexo, como quem pensou e achou e esqueceu.
    Estou hoje dividido entre a lealdade que devo
    À Tabacaria do outro lado da rua, como coisa real por fora,
    E à sensação de que tudo é sonho, como coisa real por dentro.

    Falhei em tudo.
    Como não fiz propósito nenhum, talvez tudo fosse nada.
    A aprendizagem que me deram,
    Desci dela pela janela das traseiras da casa.
    Fui até ao campo com grandes propósitos.
    Mas lá encontrei só ervas e árvores,
    E quando havia gente era igual à outra.
    Saio da janela, sento-me numa cadeira. Em que hei de pensar?

    Que sei eu do que serei, eu que não sei o que sou?
    Ser o que penso? Mas penso tanta coisa!
    E há tantos que pensam ser a mesma coisa que não pode haver tantos!
    Gênio? Neste momento
    Cem mil cérebros se concebem em sonho gênios como eu,
    E a história não marcará, quem sabe?, nem um,
    Nem haverá senão estrume de tantas conquistas futuras.
    Não, não creio em mim.
    Em todos os manicômios há doidos malucos com tantas certezas!
    Eu, que não tenho nenhuma certeza, sou mais certo ou menos certo?
    Não, nem em mim...
    Em quantas mansardas e não-mansardas do mundo
    Não estão nesta hora gênios-para-si-mesmos sonhando?
    Quantas aspirações altas e nobres e lúcidas -
    Sim, verdadeiramente altas e nobres e lúcidas -,
    E quem sabe se realizáveis,
    Nunca verão a luz do sol real nem acharão ouvidos de gente?
    O mundo é para quem nasce para o conquistar
    E não para quem sonha que pode conquistá-lo, ainda que tenha razão.
    Tenho sonhado mais que o que Napoleão fez.
    Tenho apertado ao peito hipotético mais humanidades do que Cristo,
    Tenho feito filosofias em segredo que nenhum Kant escreveu.
    Mas sou, e talvez serei sempre, o da mansarda,
    Ainda que não more nela;
    Serei sempre o que não nasceu para isso;
    Serei sempre só o que tinha qualidades;
    Serei sempre o que esperou que lhe abrissem a porta ao pé de uma parede sem porta,
    E cantou a cantiga do Infinito numa capoeira,
    E ouviu a voz de Deus num poço tapado.
    Crer em mim? Não, nem em nada.
    Derrame-me a Natureza sobre a cabeça ardente
    O seu sol, a sua chava, o vento que me acha o cabelo,
    E o resto que venha se vier, ou tiver que vir, ou não venha.
    Escravos cardíacos das estrelas,
    Conquistamos todo o mundo antes de nos levantar da cama;
    Mas acordamos e ele é opaco,
    Levantamo-nos e ele é alheio,
    Saímos de casa e ele é a terra inteira,
    Mais o sistema solar e a Via Láctea e o Indefinido.

    (Come chocolates, pequena;
    Come chocolates!
    Olha que não há mais metafísica no mundo senão chocolates.
    Olha que as religiões todas não ensinam mais que a confeitaria.
    Come, pequena suja, come!
    Pudesse eu comer chocolates com a mesma verdade com que comes!
    Mas eu penso e, ao tirar o papel de prata, que é de folha de estanho,
    Deito tudo para o chão, como tenho deitado a vida.)

    Mas ao menos fica da amargura do que nunca serei
    A caligrafia rápida destes versos,
    Pórtico partido para o Impossível.
    Mas ao menos consagro a mim mesmo um desprezo sem lágrimas,
    Nobre ao menos no gesto largo com que atiro
    A roupa suja que sou, em rol, pra o decurso das coisas,
    E fico em casa sem camisa.

    (Tu que consolas, que não existes e por isso consolas,
    Ou deusa grega, concebida como estátua que fosse viva,
    Ou patrícia romana, impossivelmente nobre e nefasta,
    Ou princesa de trovadores, gentilíssima e colorida,
    Ou marquesa do século dezoito, decotada e longínqua,
    Ou cocote célebre do tempo dos nossos pais,
    Ou não sei quê moderno - não concebo bem o quê -
    Tudo isso, seja o que for, que sejas, se pode inspirar que inspire!
    Meu coração é um balde despejado.
    Como os que invocam espíritos invocam espíritos invoco
    A mim mesmo e não encontro nada.
    Chego à janela e vejo a rua com uma nitidez absoluta.
    Vejo as lojas, vejo os passeios, vejo os carros que passam,
    Vejo os entes vivos vestidos que se cruzam,
    Vejo os cães que também existem,
    E tudo isto me pesa como uma condenação ao degredo,
    E tudo isto é estrangeiro, como tudo.)

    Vivi, estudei, amei e até cri,
    E hoje não há mendigo que eu não inveje só por não ser eu.
    Olho a cada um os andrajos e as chagas e a mentira,
    E penso: talvez nunca vivesses nem estudasses nem amasses nem cresses
    (Porque é possível fazer a realidade de tudo isso sem fazer nada disso);
    Talvez tenhas existido apenas, como um lagarto a quem cortam o rabo
    E que é rabo para aquém do lagarto remexidamente

    Fiz de mim o que não soube
    E o que podia fazer de mim não o fiz.
    O dominó que vesti era errado.
    Conheceram-me logo por quem não era e não desmenti, e perdi-me.
    Quando quis tirar a máscara,
    Estava pegada à cara.
    Quando a tirei e me vi ao espelho,
    Já tinha envelhecido.
    Estava bêbado, já não sabia vestir o dominó que não tinha tirado.
    Deitei fora a máscara e dormi no vestiário
    Como um cão tolerado pela gerência
    Por ser inofensivo
    E vou escrever esta história para provar que sou sublime.

    Essência musical dos meus versos inúteis,
    Quem me dera encontrar-me como coisa que eu fizesse,
    E não ficasse sempre defronte da Tabacaria de defronte,
    Calcando aos pés a consciência de estar existindo,
    Como um tapete em que um bêbado tropeça
    Ou um capacho que os ciganos roubaram e não valia nada.

    Mas o Dono da Tabacaria chegou à porta e ficou à porta.
    Olho-o com o deconforto da cabeça mal voltada
    E com o desconforto da alma mal-entendendo.
    Ele morrerá e eu morrerei.
    Ele deixará a tabuleta, eu deixarei os versos.
    A certa altura morrerá a tabuleta também, os versos também.
    Depois de certa altura morrerá a rua onde esteve a tabuleta,
    E a língua em que foram escritos os versos.
    Morrerá depois o planeta girante em que tudo isto se deu.
    Em outros satélites de outros sistemas qualquer coisa como gente
    Continuará fazendo coisas como versos e vivendo por baixo de coisas como tabuletas,

    Sempre uma coisa defronte da outra,
    Sempre uma coisa tão inútil como a outra,
    Sempre o impossível tão estúpido como o real,
    Sempre o mistério do fundo tão certo como o sono de mistério da superfície,
    Sempre isto ou sempre outra coisa ou nem uma coisa nem outra.

    Mas um homem entrou na Tabacaria (para comprar tabaco?)
    E a realidade plausível cai de repente em cima de mim.
    Semiergo-me enérgico, convencido, humano,
    E vou tencionar escrever estes versos em que digo o contrário.

    Acendo um cigarro ao pensar em escrevê-los
    E saboreio no cigarro a libertação de todos os pensamentos.
    Sigo o fumo como uma rota própria,
    E gozo, num momento sensitivo e competente,
    A libertação de todas as especulações
    E a consciência de que a metafísica é uma consequência de estar mal disposto.

    Depois deito-me para trás na cadeira
    E continuo fumando.
    Enquanto o Destino mo conceder, continuarei fumando.

    (Se eu casasse com a filha da minha lavadeira
    Talvez fosse feliz.)
    Visto isto, levanto-me da cadeira. Vou à janela.
    O homem saiu da Tabacaria (metendo troco na algibeira das calças?).
    Ah, conheço-o; é o Esteves sem metafísica.
    (O Dono da Tabacaria chegou à porta.)
    Como por um instinto divino o Esteves voltou-se e viu-me.
    Acenou-me adeus, gritei-lhe Adeus ó Esteves!, e o universo
    Reconstruiu-se-me sem ideal nem esperança, e o Dono da Tabacaria sorriu.

    Álvaro de Campos, 15-1-1928

convite...

quarta-feira, 17 de outubro de 2007

Teu nome

Teu nome foi um sonho do passado
foi um murmurio eterno em meus ouvidos
foi o som de uma harpa que embalou-me a vida,
foi um sorriso de alma entre gemidos!

Seu nome foi um éco de soluções
entre as minhas canções, entre os meus prantos
foi tudo que eu amei, que eu resumia
Dores... prazer... aventura... amor... encantos!

Escrevo-o nos troncos de arvoredos
nas alvas prais, onde bate o mar
das estrelas fiz letras, soletrei-o
por noite bela, ao morbido luar!

Escrevi-o nos prados verdejantes,
com as folhas da rosa ou de açucena,
Oh! Quantas vezes na asa perfumada
correu das brisas em manhã serena.

Mas na estrela morreu caiu nos troncos.
Nas parias se apagou, murchou nas flores
só guardado ficou-me, aqui, no peito
saudades e lembranças de você e de seu doce nome:
Sonny.


ah, te adorava meu querido e antigo amor...

terça-feira, 16 de outubro de 2007

santa personalidade que me faz duvidar
variar se aquele elfo negro é o certo
ou minha alma branca e insana
até as vezes fragil
é a verdade.
queria muito descobrir
afinal tal contradição
faz mas para qualquer criatura.

divina crise de identidade.
o que sou afinal?
a quantidade de gente que pergunta
é quase maior que a dúvida.

maldita dúvida.
faz com que a cabeça gire
e as vezes até irrita
faz com que até aconteça
um tiro na cabeça..

ai minha cabeça!
dói
só de lembrar que posso não existir ou
existo pelo fato de lembrar...

personalidades complicadas!

quinta-feira, 11 de outubro de 2007

não me lembro!

poemas meus.

enfim, estou aqui para dizer que mais um dia se passou.
mais um dia com a ausência de algo esperado mas algo...
não sei bem o que é que me fez assim triste.
não acredito que esteja apaixonada, não lembro de ninguém quando lembro!
não estou escrevendo poemas.
não me lembro de meus poemas.
na verdade, na verdade
não lembro nem o que sou
ou o que deixei de ser não me lembro quando
não sei porque me falam sempre de um porquê
eu não sei porque precisa de uma explicação.
porque realizar sonhos se não lembro dos meus.
faz algum tempo que deixei de sonhar, só durmo.
ou as vezes não durmo, para que o sono se torne leve embriaguez.
é difícil.
vai ter uma festa novamente.
e eu não vou ir.
não estarei lá para ver tudo que eu perderia se gostasse daquilo.
perdi de rir com os amigos que não tenho.
perdi de beijar os homens que não me queriam
e perdi de contar da tristeza que não tive ao acordar...
perdi pois não dormi.
perdi pois esqueci dos meus sonhos e alegrias
e porque perdi a festa que não fui convidada.
perdi a alegria que nunca tive.
tenho saudade de um tempo que não me lembro,
e não me lembro porque talvez não tenha vivido tempo suficiente para ter aproveitado.
bem, agora acredito que chega.
para todos os ausentes que lêem meus poemas.


obrigada.

entra que vale a pena!

quarta-feira, 10 de outubro de 2007

" DAR UMA SEGUNDA CHANCE É DAR A ALGUÉM A CHANCE DE REPETIR O MESMO ERRO."
"existem 10 tipos de pessoa no mundo: as que conhecem o binário e as que não."
-parede do alojamento masc.

Amanita matutina em meu cérebro coágulos de sol....

terça-feira, 9 de outubro de 2007

A VOCÊS.

VENTO NORTE
lembra daquele dia
vento encanado por detras da janela do quarto vazio
e nós lá.
aquele grande e noturno gramado
lotado de gente e fumaça.
e nós... lá.
aquelas músicas conhecidas
e as pessoa cantando
era tão linda aquela psicodelia toda!
bons tempos aqueles em que o vento norte entornava velhas almas.
bons tempos aqueles em que vocês me seguravam
para as divinas almas me deixarem.
queria voar novamente.
me ajuda a viajar
tô sentindo o leve aroma do pó de construção
aquele que sentia
naqueles velhos e bons dias
em que vivíamos
só nós.


AOS MEUS ANTIGOS AMIGOS QUE FORAM DEPOIS DOS ALUCINÓGENOS.

segunda-feira, 8 de outubro de 2007

ULTIMA PRA LEMBRAR DE TI


Por Enquanto


Renato Russo
Mudaram as estações nada mudou
Mas eu sei que alguma coisa aconteceu
Tá tudo assim, tão diferente
Se lembra quando a gente chegou um dia a acreditar
Que tudo era pra sempre sem saber que o pra sempre sempre acaba
Mas nada vai conseguir mudar o que ficou Quando penso em alguém só penso em você E aí, então, estamos bem
Mesmo com tantos motivos pra deixar tudo como está
Nem desistir, nem tentar, agora tanto faz... Estamos indo de volta pra casa
essa tal lembra o nosso recomeço...

----------------------------ZIGGY STARDUST----------------------------------

ao gargula que aqui viveu.


TA BOM. VOU ESCREVER ALGO DE MINHA CRIAÇÃO, IMPROVIZADO AGORA...
queria te dizer
criatura orrenda e fantasmagórica
dizer-te que
o sentido do tudo agora é tão mais claro e dolorido
sinto que assim achei melhor ter sofrido...
contigo
aquele maldito inferno que machucava

e eu fugia se soubesse eu aquele maldito inferno
eu te adorava meu pequeno demônio!

eu te odiava.
sempre te odiei.

infame desgraça que vivi ao teu lado
que agora só me faz adimitir
se fosse dor ainda seria melhor.

seria melhor...

SERIA MELHOR!!!

só queria que tu não soubesse
que eu quero te dizer
que o inferno de tu ser
um demônio
uma praga dos infernos


mas faz falta.
queria te dizer que te adoro.
te adoro mesmo pequeno inferno.

ao Gargula.

sexta-feira, 5 de outubro de 2007

MÚMIAS!


ESSA CRIATURA É DO SECULO XVII.

e gnomos, doendes e bicicletas azuis.


Júpiter Maçã - Canção Para Dormir Júpiter Maçã
Eu acredito em fantasmas
e mula sem cabeça
neguiinho do pastoreiro
e boi tátá-tá-tátá-tá
tá tá-tá, tá tá-tá

as vezes transo simpatias
sou super superticioso
eu acredito em fantasmas
fantasmasa, fantasmas, fantasmas

lá vem lobishomem
e as coruja maldita
lá vem superhomem
salvando a donzela aflita

no reino da lua cheia
existe uma mulher feia
que lança feitiço nos homi
nos homi, nos homi, nos homi

lá vem gafanhoto
e grilo maluco na cuca
lá vem homem-aranha
salvando a donzela maluca
amor é boa palavra
palavras fazem o bolo
o bolo de marshmellow
pra fada e o gnomo amarelo

é. eu não sou petista




E Deus disse:

"Que cresça a erva, que a erva dê semente, que da semente cresçam árvores e dêem frutos". E Deus povoou a Terra com brócolis, couve-flor, espinafre, milho e vegetais de todas as espécies, para que o Homem e a Mulher pudessem viver longas e saudáveis vidas. E Satanás criou o McDonald's e a promoção de dois BigMacs a cinco reais. E Satanás disse ao Homem: "Queres as batatas fritas com quê?" E o homem disse: "Na promoção, com Coca-cola, catchup e mostarda". E o Homem engordou cinco quilos... E Deus criou o iogurte saudável, para que a Mulher pudesse manter a forma esbelta de que o Homem tanto gostava. E Satanás criou o chocolate.E a Mulher engordou cinco quilos.... E Deus disse: "Experimentem a minha salada". E Satanás criou os pratos de bacalhau com creme e marisco. E a Mulher engordou 10kg... E Deus disse: "Enviei-vos bons e saudáveis vegetais e o azeite para que vós possam cozinhar". E Satanás inventou a gordura hidrogenada, a galinha frita e o peixe frito. E o Homem ganhou dez quilos e os níveis de colesterol bateram no teto... E Deus criou os sapatos de corrida, e o Homem perdeu aqueles quilos extras. E Satanás criou a televisão a cabo com controle remoto para que o homem não tivesse de se levantar para mudar de canal. E o Homem engordou mais vinte quilos... E Deus disse: "Estás passando dos limites". E Satanás criou o ataque cardíaco. E Deus criou a intervenção cirúrgica cardíaca. E Satanás criou o sistema de saúde brasileiro... Mas Deus deu ao homem os convênios e a aposentadoria para que ele pudesse descansar e ter uma nova chance... Aí Satanás criou o PT... Então Deus desistiu.

Arnaldo Jabor



a

hino nacional




Precisamos descobrir o Brasil!
Escondido atrás das florestas,
com a água dos rios no meio,
o Brasil está dormindo, coitado.
Precisamos colonizar o Brasil.

O que faremos importando francesas
muito louras, de pele macia,
alemãs gordas, russas nostálgicas para
garçonnettes dos restaurantes noturnos.
E virão sírias fidelíssimas.
Não convém desprezar as japonesas.

Precisamos educar o Brasil.
Compraremos professores e livros,
assimilaremos finas culturas,
abriremos dancings e subvencionaremos as elites.

Cada brasileiro terá sua casa
com fogão e aquecedor elétricos, piscina,
salão para conferências científicas.
E cuidaremos do Estado Técnico.

Precisamos louvar o Brasil.
Não é só um país sem igual.
Nossas revoluções são bem maiores
do que quaisquer outras; nossos erros também.
E nossas virtudes? A terra das sublimes paixões...
os Amazonas inenarráveis... os incríveis João-Pessoas...

Precisamos adorar o Brasil.
Se bem que seja difícil caber tanto oceano e tanta solidão
no pobre coração já cheio de compromissos...
se bem que seja difícil compreender o que querem esses homens,
por que motivo eles se ajuntaram e qual a razão de seus sofrimentos.

Precisamos, precisamos esquecer o Brasil!
Tão majestoso, tão sem limites, tão despropositado,
ele quer repousar de nossos terríveis carinhos.
O Brasil não nos quer! Está farto de nós!
Nosso Brasil é no outro mundo. Este não é o Brasil.
Nenhum Brasil existe. E acaso existirão os brasileiros?

Carlos Drummond de Andrade



a

quinta-feira, 4 de outubro de 2007

quarta-feira, 3 de outubro de 2007

LÁGRIMA PSICODELICA


RECOMENDO, O BLOG MAIS MASSA QUE JÁ CONHECI. FALA TUDO, TUDO MESMO, DAS MELHORES E PIORES BANDAS, DESDE CAMEL, ATÉ DAVID BOWIE, PINK ATÉ NIRVANA, ATÉ NEKTAR TEM! OS CARA SÃO... OS CARA!!

terça-feira, 2 de outubro de 2007

David Bowie...novamente!


A imagem ao lado mostra Bowie dividindo o microfone com o guitarrista Mick Ronson, durante o período em que o cantor encarnava seu personagem mais famoso, o extraterrestre Ziggy Stardust. Apesar do sucesso mundial de Ziggy, Bowie deixou de interpretá-lo depois de pouco mais de um ano, no início da década de 70.Um dos maiores nomes da história do Rock. É com essa simples frase que podemos definir David Bowie. Sua importância no mundo da música é inegável, incomensurável e infinita. A história começou quando David Robert Jones, então com 13 anos de idade, influenciado pelo som de Little Richards, começou a tocar saxofone em algumas bandas de Brixton até 1966. A partir daí decidiu se lançar em carreira solo. Conseguiu um empresário, adotou a alcunha de David Bowie e gravou alguns singles. Três anos depois, conseguiu entrar pela primeira vez nas paradas inglesas com “Space Oddit”, inspirado em “2001 – Uma Odisséia no Espaço”. Depois disso, o vocalista começou a se firmar no cenário da época com os álbuns “David Bowie” e “The Man Who Sold The World”, regravada pelo Nirvana nos anos 90.

Os anos 70 impulsionaram a carreira de Bowie em todo o mundo e ficaram marcados pelo lançamento de grandes clássicos como "Hunky Dory" e "The Rise And Fall Of Ziggy Stardust And The Spiders From Mars", onde ele deu vida ao seu mais famoso personagem, uma espécie de alienígina andrógino, Ziggy Stardust. Após “Young Americans”, atuou no filme “The Man Who Fell To Earth” e lançou um de seus trabalhos mais famosos, “Low”, em 1977. O camaleão, como é conhecido, iniciou uma nova empreitada em 1989, o Tin Machine, lançando dois álbuns. em 1997 Bowie saiu em turnê com o Nine Inch Nails e fez participações especiais em apresentações com o Neil Young e Pearl Jam. No ano seguinte, entrou no ar o BowieNet, um provedor de Internet criado pelo artista. Alguns anos depois chegou "Heathen", iniciando o novo milênio. David Bowie conseguiu influenciar muitas gerações e foi fonte de inspiração para grupos de todos os estilos, desde Punk, até Metal, passando pelo Pop e música eletrônica. Sua mente inovadora e atitude de vanguarda mudaram para sempre o ‘show business’. Absorvendo, incorporando e criando elementos artísticos de cada época, o camaleão interferiu em todas as artes, cantando, compondo, interpretando e criando capas, visuais e personagens inovadores.

segunda-feira, 1 de outubro de 2007

a meus amigos do netlog...

Não sei ...
se a vida é curta ou longa
mas sei que nada do que vivemos tem sentido,
se não tocamos o coração das pessoas.

Muitas vezes basta ser:
colo que acolhe,
braço que envolve,
palavra que conforta,
silêncio que respeita,
alegria que contagia,
lágrima que corre,
olhar que acaricia,
amor que promove.

E isso não é coisa de outro mundo,
é o que dá sentido à vida.
É o que faz com que ela não
seja nem curta, nem longa demais,
mas que seja intensa, verdadeira,
e pura ... enquanto durar ...


~ Cora Coralina ~

sexta-feira, 28 de setembro de 2007

por uma elfa, de vida eterna mas que morre de morte matada


Elfos

Entre o matagal de fetos, escuro e fundo,
Encontrei uma dama não deste mundo.
Coberta com uma teia de flores e seda,
As horas deixava passar, queda,
Esperando pela noite.

No musgo verde e macio deitada,
Com uma criança perto de si embrulhada.
De pele tão alva e cabelo tão negro,
Via o crepúsculo, em sossego,
Esperando que fosse noite.

Em silêncio, sentei-me a seu lado,
Com o cérebro confuso e espantado,
À espera que a palavra me surgisse.
"És muito gentil", a dama então disse,
"Por esperares comigo até ser noite."

Perguntei à dama: "Estais perdida?
É este escuro matagal que vos dá guarida?
Virão outros , quando a estrela e a Lua brilhar?"
Ela apenas sorriu e pôs-se a cantar
Para o elfo criança.

A criança dormia. A dama começou a cantar
A magia profunda da Terra e do Mar.
Sussurrou velhos e poderosos encantamentos.
"Usa-os bem", disse. "Sê corajoso
Quando na noite os evocares."

"Posso experimentá-los?" A dama sorriu,
Abraçando a criança.
"Sim", respondeu" "é uma dádiva que te faço
Por teres esperado comigo que a Lua
Surgisse no céu."

Pensativo, a seu lado fiquei a vigiar.
Então, ouvi o cavaleiro chegar
Pelo escuro matagal, à desfilada.
"Estais aí, minha dama amada?"
Chamou uma voz de elfo.

Um cavaleiro elfo, de capa encarnada,
Armado de punhal e espada acerada,
Conduzia o cavalo pela mata a direito.
O coração começou a abater-me no peito
Quando vi a escuridão dos seus olhos.

O crepúsculo caíra, nenhuma ave cantava.
A Lua sobre a colina espreitava.
De repente, senti-me só.
"Não tenhas medo, pois boa amizade
Semeaste."

A dama ergueu a mão delicada.
Uma fita prateada
Brilhou ao luar na sua tez.
"Não lhe dais um dom pelo que fez?"
Perguntou ao seu senhor.

"Pois este é um corajoso guarda, um amigo."
"Mas o homem sempre foi nosso inimigo",
Respondeu o cavaleiro elfo. "Não é tal,
Disse ela, "pois guardou-nos neste matagal."
Ele sorriu.

"Então, alguns há que nos querem bem."
A sua voz era um trovão do além.
Tirou um anel do dedo.
"Isto ligar-te-á em segredo
À terra e à magia."

Tal como a Lua, a sua pedra era fria.
O ar estava cheio de uma estranha melodia
Quando a dama e o cavaleiro montaram
E no escuro matagal se embrenharam.
Fiquei sozinho.

Dizem que os elfos não são daqui.
Mas eu as suas lindas vozes ouvi,
Naqueles maravilhosos momentos.
E aprendi mágicos encantamentos
Com a dama.

O anel com o poder que encerra
Vai ajudar-me com a magia da terra.
Às vezes falamos em tom profundo
No matagal de fetos, escuro e fundo,
Em segredo.

Será magia? Para mim, não há duvida.
Pois quando o sol desaparecer, devagar,
Sinto o poder da Terra no meu coração
E sei que em mim sempre ficarão
O cavaleiro e a dama.



por D. J. Conway

wood & stock

sexo
orégano
e rock' n' roll!!!!!!!!!!!

recomendo...
é meio parte da minha realidade, tipo hippie urbano.

mendigo sincero

ALLAN POE!!!!!!!



O CORVO *
(de Edgar Allan Poe)

Numa meia-noite agreste, quando eu lia, lento e triste,
Vagos, curiosos tomos de ciências ancestrais,
E já quase adormecia, ouvi o que parecia
O som de algúem que batia levemente a meus umbrais.
"Uma visita", eu me disse, "está batendo a meus umbrais.
É só isto, e nada mais."

Ah, que bem disso me lembro! Era no frio dezembro,
E o fogo, morrendo negro, urdia sombras desiguais.
Como eu qu'ria a madrugada, toda a noite aos livros dada
P'ra esquecer (em vão!) a amada, hoje entre hostes celestiais -
Essa cujo nome sabem as hostes celestiais,
Mas sem nome aqui jamais!

Como, a tremer frio e frouxo, cada reposteiro roxo
Me incutia, urdia estranhos terrores nunca antes tais!
Mas, a mim mesmo infundido força, eu ia repetindo,
"É uma visita pedindo entrada aqui em meus umbrais;
Uma visita tardia pede entrada em meus umbrais.
É só isto, e nada mais".

E, mais forte num instante, já nem tardo ou hesitante,
"Senhor", eu disse, "ou senhora, decerto me desculpais;
Mas eu ia adormecendo, quando viestes batendo,
Tão levemente batendo, batendo por meus umbrais,
Que mal ouvi..." E abri largos, franqueando-os, meus umbrais.
Noite, noite e nada mais.

A treva enorme fitando, fiquei perdido receando,
Dúbio e tais sonhos sonhando que os ninguém sonhou iguais.
Mas a noite era infinita, a paz profunda e maldita,
E a única palavra dita foi um nome cheio de ais -
Eu o disse, o nome dela, e o eco disse aos meus ais.
Isso só e nada mais.

Para dentro então volvendo, toda a alma em mim ardendo,
Não tardou que ouvisse novo som batendo mais e mais.
"Por certo", disse eu, "aquela bulha é na minha janela.
Vamos ver o que está nela, e o que são estes sinais."
Meu coração se distraía pesquisando estes sinais.
"É o vento, e nada mais."

Abri então a vidraça, e eis que, com muita negaça,
Entrou grave e nobre um corvo dos bons tempos ancestrais.
Não fez nenhum cumprimento, não parou nem um momento,
Mas com ar solene e lento pousou sobre os meus umbrais,
Num alvo busto de Atena que há por sobre meus umbrais,
Foi, pousou, e nada mais.

E esta ave estranha e escura fez sorrir minha amargura
Com o solene decoro de seus ares rituais.
"Tens o aspecto tosquiado", disse eu, "mas de nobre e ousado,
Ó velho corvo emigrado lá das trevas infernais!
Dize-me qual o teu nome lá nas trevas infernais."
Disse o corvo, "Nunca mais".

Pasmei de ouvir este raro pássaro falar tão claro,
Inda que pouco sentido tivessem palavras tais.
Mas deve ser concedido que ninguém terá havido
Que uma ave tenha tido pousada nos meus umbrais,
Ave ou bicho sobre o busto que há por sobre seus umbrais,
Com o nome "Nunca mais".

Mas o corvo, sobre o busto, nada mais dissera, augusto,
Que essa frase, qual se nela a alma lhe ficasse em ais.
Nem mais voz nem movimento fez, e eu, em meu pensamento
Perdido, murmurei lento, "Amigo, sonhos - mortais
Todos - todos já se foram. Amanhã também te vais".
Disse o corvo, "Nunca mais".

A alma súbito movida por frase tão bem cabida,
"Por certo", disse eu, "são estas vozes usuais,
Aprendeu-as de algum dono, que a desgraça e o abandono
Seguiram até que o entono da alma se quebrou em ais,
E o bordão de desesp'rança de seu canto cheio de ais
Era este "Nunca mais".

Mas, fazendo inda a ave escura sorrir a minha amargura,
Sentei-me defronte dela, do alvo busto e meus umbrais;
E, enterrado na cadeira, pensei de muita maneira
Que qu'ria esta ave agoureia dos maus tempos ancestrais,
Esta ave negra e agoureira dos maus tempos ancestrais,
Com aquele "Nunca mais".

Comigo isto discorrendo, mas nem sílaba dizendo
À ave que na minha alma cravava os olhos fatais,
Isto e mais ia cismando, a cabeça reclinando
No veludo onde a luz punha vagas sobras desiguais,
Naquele veludo onde ela, entre as sobras desiguais,
Reclinar-se-á nunca mais!

Fez-se então o ar mais denso, como cheio dum incenso
Que anjos dessem, cujos leves passos soam musicais.
"Maldito!", a mim disse, "deu-te Deus, por anjos concedeu-te
O esquecimento; valeu-te. Toma-o, esquece, com teus ais,
O nome da que não esqueces, e que faz esses teus ais!"
Disse o corvo, "Nunca mais".

"Profeta", disse eu, "profeta - ou demônio ou ave preta!
Fosse diabo ou tempestade quem te trouxe a meus umbrais,
A este luto e este degredo, a esta noite e este segredo,
A esta casa de ância e medo, dize a esta alma a quem atrais
Se há um bálsamo longínquo para esta alma a quem atrais!
Disse o corvo, "Nunca mais".

"Profeta", disse eu, "profeta - ou demônio ou ave preta!
Pelo Deus ante quem ambos somos fracos e mortais.
Dize a esta alma entristecida se no Éden de outra vida
Verá essa hoje perdida entre hostes celestiais,
Essa cujo nome sabem as hostes celestiais!"
Disse o corvo, "Nunca mais".

"Que esse grito nos aparte, ave ou diabo!", eu disse. "Parte!
Torna á noite e à tempestade! Torna às trevas infernais!
Não deixes pena que ateste a mentira que disseste!
Minha solidão me reste! Tira-te de meus umbrais!
Tira o vulto de meu peito e a sombra de meus umbrais!"
Disse o corvo, "Nunca mais".

E o corvo, na noite infinda, está ainda, está ainda
No alvo busto de Atena que há por sobre os meus umbrais.
Seu olhar tem a medonha cor de um demônio que sonha,
E a luz lança-lhe a tristonha sombra no chão há mais e mais,
Libertar-se-á... nunca mais!

Fernando Pessoa