
se levantava enfim, numa manhã fria e pálida, com um tímido sorriso e um lento caminhar, seus lábios macios e rosados, seu adorável e jovem corpo enfim vestia o vestido azul, encomendado a tanto tempo para tão sonhado encontro...
do lado de lá ele ainda dormia. estava atrasado, mas logo lembrara e como sonhava com sua amada levantara em um soluço falando seu nome: Etiene! E vendo seu rosto ainda em sonho, disse mais uma vez que a amava...
com passos lentos e levemente embalados ela caminhava, atravessou a rua com convicção de que seria perfeito, Fábio estaria lá, e seus olhos verdes brilhariam com intensidade... Estavam apaixonados.
ela chega no parque, ansiosa tropeça nas próprias pernas, logo se acalma e senta, brincado com uma boca-de-leão, roubada de um jardim a caminho do tão esperado encontro.
Fábio se arruma rápido, levará a jóia mais linda, nessa manhã de outono, o dia esperado para demonstrar tudo o que sente, seu coração bate com ardor, pensa nela a cada segundo, como será sua reação ao ver o lindo colar de rubis e brilhantes que herdara da sua avó, especialmente para ela... e mulher de seus sonhos.
ele sai, finalmente do apartamento. volta correndo! esqueceu o perfume... não poderia esquecer de um único detalhe.
ela com seu perfume floral penteava com os dedos seus longos cabelos negros, tinha chegado cedo demais, mas a ansiedade era grade para esperar. a cada minuto olhava o relógio!
finalmente o avista, pontualmente às 8 da manhã, vindo em passos apressados ela se levanta do banco da praça, não se controla e solta alto uma risada boba e apaixonada! tenta disfarçar e ele grita seu nome, ela cai sentada novamente, ele nas mãos leva o bendito colar de rubis... grita:
- Etiene!
- Ah! meu querido!- grita ela.
e se abraçam intensamente.
Ricardo acorda cedo, 6 e meia. aquela manhã de outono já não era tão feliz pra ele dessa vez... sua dor terrível e incessante, lembrava daquele doce sorriso, daquele caminhar delicado, sua amado, que para sempre o abandonara, descobriu que sua honestidade não o orgulhava, pelo contrário, apropriava-se de casas burguesas, dizia que não iria se deixar ser roubado... e roubava. quando ela descobriu era tarde pra parar, mas parou. virou um operário, com as mãos judiadas acariciava sua pele macia, mas que se esquivava de sua atenção. se decepcionara demais para manter um sentimento. resolveu se afastar. a um ano estava só, lembrando dela a cada instante. tentou um emprego melhor, estava estudando direito, fazia tudo, tudo para que ela o olhasse. todos os dias ia ao parque onde se encontravam nas manhãs de domingo... mas ela nunca mais apareceu. todas as manhãs que Deus dava, ele acordava falando seu nome, mas ela nunca mais aparecera no seu ponto de encontro.
naquela manhã, como de costume, Ricardo estava lá, e qual foi sua surpresa: ela apareceu, mais linda que nunca em um vestido azul, com seus longos cabelos negros esvoaçantes e um sorriso leve nos seus doces lábios, lá estava Etiene, finalmente comparecera.
ele esperou pacientemente escondido, para ser pontual, observava ao longe a ansiedade da menina, e 8 horas em pondo foi ao seu encontro, mas divina infelicidade, tinha visto ela com outro...
Fábio a abraçava forte, a saudade era grande, o amor maior ainda, Etiene lacrimejava de alegria quando parou, olhou com seus verdes olhos brilhantes pela última vez o rosto do seu príncipe encantado... desmanchou o sorriso, ele sem entender sentiu seu corpo pesar, atrás dela, em lágrimas um homem jovem, arrumado, com uma rosa vermelha em uma mão, uma arma na outra. Era Ricardo. nunca imaginou que ela apareceria lá para ser de outro que não dele. Fábio gritou seu nome, e Etiene, pela última vez, o ouviu dizer que a amava.
Ricardo se arrependeu, nunca viveria sem ela. apontou a arma para as têmporas. atirou.
o colar não foi entregue, e nunca usado por Etiene. naquele parque todas as manhãs continuaram iguais, exceto as manhãs de domingo, quando Fábio ainda está, às 8 da manhã, esperando Etiente.

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